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Como colocar imposto e margem no retorno mínimo da sua campanha e saber em 1 dia se ela dá lucro

FA

Felipe Alves

Estrategista-chefe e CVO da HDP BRASIL

 
Fundo azul-marinho com o título Retorno de equilíbrio: imposto e margem no cálculo mínimo, capa do artigo da HDP BRASIL

Neste artigo

O retorno mínimo de uma campanha é o número de reais em venda que cada real investido em anúncio precisa gerar para a venda pagar a si mesma. Ele sai de uma divisão simples, o número um dividido pela margem de contribuição, que é a fatia do preço que sobra depois do custo do produto, do imposto sobre a venda, da taxa de pagamento e da comissão. Quando o retorno do dia fica acima desse mínimo, a campanha dá lucro sobre a venda. Quando fica abaixo, cada venda adicional aumenta o prejuízo.

Um estudo do IBPT de 2026 apontou que o brasileiro trabalhou cerca de 150 dias no ano para pagar tributos, o equivalente a 41,1% da renda, somando os tributos sobre renda, consumo e patrimônio. Este texto leva o imposto para dentro da conta da sua campanha: mostra o que entra na margem, a fórmula passo a passo, dois exemplos hipotéticos (Simples Nacional e Lucro Presumido) e um jeito de conferir, em um dia, se a mídia está acima ou abaixo do mínimo.

Infográfico Cálculo do retorno mínimo para campanhas de mídia, com a diferença entre retorno sobre anúncio e retorno real, os três passos do cálculo, o exemplo no Lucro Presumido e a planilha.
O artigo em uma página: salve ou compartilhe com quem acompanha os números da campanha.

Qual é a diferença entre o retorno sobre o anúncio e o retorno real da campanha?

O retorno sobre o anúncio, conhecido pela sigla ROAS, divide o faturamento atribuído à campanha pelo valor investido em mídia. Se a plataforma mostra um retorno de 3, cada real de anúncio trouxe três reais em vendas. Já explicamos essa métrica no artigo O que é ROAS e qual é o ROAS ideal para o seu negócio, e a comparação com o lucro final está em ROAS ou ROI.

O número da plataforma termina no faturamento. O retorno real é o que sobra depois que a venda paga o produto, o imposto, a taxa do cartão e a comissão. Duas empresas com retorno de 3 na tela podem estar em situações opostas, uma com lucro e outra com prejuízo, porque a fatia do preço que fica com a empresa é diferente.

Por isso, a pergunta útil é qual retorno a sua empresa precisa para empatar. Esse número chama-se retorno mínimo, ou ROAS de equilíbrio, e a conta abaixo o transforma em uma meta que a sua equipe consegue acompanhar todos os dias.

Quadro que compara o número da plataforma, faturamento dividido pelo investimento, com o retorno real, que desconta produto, imposto, taxa e comissão.
Duas empresas com o mesmo retorno na plataforma podem ter resultados opostos no caixa.

O que entra na margem de contribuição e o que fica de fora?

A margem de contribuição é a parte de cada venda que sobra para pagar a mídia, os custos fixos e o lucro. Ela considera apenas o que varia com a venda, ou seja, o que deixa de existir se a venda não acontecer. Entram na conta:

  • Custo do produto ou do serviço: o valor da mercadoria, do material ou da hora do profissional que entrega, incluindo frete e embalagem quando a empresa paga.
  • Imposto sobre a venda: a alíquota efetiva que incide sobre o faturamento, informada pelo contador.
  • Taxa de pagamento: o percentual cobrado pela maquininha, pelo intermediador de pagamento on-line (o gateway) ou pela plataforma de vendas.
  • Comissão: o percentual pago a vendedor, parceiro ou afiliado sobre a venda.

Ficam de fora o aluguel, a folha administrativa, as ferramentas e o honorário de gestão da agência. Esses itens são custos fixos do período e entram quando a empresa calcula o retorno sobre o investimento total, o ROI, assunto do artigo ROAS ou ROI. Misturar os dois tipos de custo na mesma margem faz o retorno mínimo parecer maior do que a venda exige e pode levar a pausar uma campanha que estava saudável.

O imposto sobre a venda merece atenção especial por ser o item que muda com o regime da empresa e com o faturamento dos últimos meses. Os dois exemplos mais adiante mostram como ele é calculado no Simples Nacional e no Lucro Presumido.

Quadro com o que entra na margem de contribuição, custo do produto, imposto sobre a venda, taxa de pagamento e comissão, e o que fica de fora, os custos fixos do período.
Só o que varia com a venda entra na margem; aluguel, folha e honorário da agência ficam para o ROI.

Como calcular o retorno mínimo da campanha passo a passo?

A conta tem quatro passos, todos feitos com o valor de uma venda média.

  1. Defina o preço médio da venda e o custo do produto ou do serviço, e transforme o custo em percentual do preço (custo dividido pelo preço).
  2. Some os percentuais do imposto sobre a venda, da taxa de pagamento e da comissão.
  3. Calcule a margem de contribuição, que é o preço inteiro (100%) menos o percentual do custo, do imposto, da taxa e da comissão.
  4. Divida 1 pela margem. O resultado é o retorno mínimo.

Se a margem de contribuição é de 20%, o retorno mínimo é de 5, porque 1 dividido por 0,20 dá 5. A leitura é direta: com margem de 20 centavos por real vendido, a empresa precisa vender cinco reais para cada real de anúncio só para recuperar o valor investido. Qualquer venda acima disso começa a gerar lucro sobre a venda, e qualquer venda abaixo gera prejuízo.

Duas observações mantêm a conta honesta. A primeira é calcular uma linha por produto ou serviço quando as margens forem diferentes, porque a média esconde o item que dá prejuízo. A segunda é usar o preço realmente cobrado, já com os descontos concedidos e o custo do parcelamento com taxa.

Quatro passos em sequência, do preço médio e custo direto até dividir um pela margem para chegar ao retorno mínimo.
Quatro passos levam do preço médio ao retorno mínimo da campanha.

Sua campanha está acima do retorno mínimo que a sua margem exige?

No diagnóstico estratégico montamos essa conta com os números da sua empresa e definimos qual retorno a mídia precisa entregar para crescer com lucro.

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Como fica a conta de uma empresa no Simples Nacional?

Imagine, apenas para ilustrar, uma loja de produtos que vende pela internet e está no Simples Nacional, com faturamento de R$ 1.200.000 nos últimos doze meses. No Simples, o imposto sobre a venda é a alíquota efetiva, calculada pela fórmula do artigo 18 da Lei Complementar 123/2006, em que a alíquota efetiva é igual à receita dos últimos 12 meses multiplicada pela alíquota nominal, menos a parcela a deduzir, tudo dividido pela receita dos últimos 12 meses.

Para o comércio, o Anexo I da lei coloca essa receita na faixa de R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,00, com alíquota nominal de 10,70% e parcela a deduzir de R$ 22.500,00. Na conta, R$ 1.200.000 multiplicados por 0,107 dão R$ 128.400; menos R$ 22.500, sobram R$ 105.900; dividido por R$ 1.200.000, o resultado é 0,08825, ou seja, 8,825%.

Agora o preço médio do pedido, que neste exemplo é de R$ 500. O custo do produto é de R$ 300 (60% do preço), a taxa de pagamento é de 4% (R$ 20) e a comissão é de 3% (R$ 15). O imposto de 8,825% equivale a R$ 44,13. Sobram R$ 120,88 por pedido, o que dá uma margem de contribuição de 24,175%.

O retorno mínimo é 1 dividido por 0,24175, que resulta em cerca de 4,14. Teste com a campanha que mostra retorno 3 na plataforma: com R$ 1.000 de anúncio, o faturamento é de R$ 3.000, e a margem de 24,175% deixa R$ 725,25. Descontado o anúncio, o resultado é um prejuízo de aproximadamente R$ 275. Com retorno 5, o faturamento é de R$ 5.000, a margem deixa R$ 1.208,75 e sobra um lucro de cerca de R$ 209 sobre a venda.

A alíquota efetiva muda à medida que a receita dos últimos doze meses cresce, e uma campanha que funciona empurra a empresa para faixas mais altas. Por isso vale refazer o cálculo todo mês e acompanhar a distância até o teto do regime, tema do artigo O teto do Simples Nacional: o que acontece quando o marketing da clínica funciona. Este exemplo é ilustrativo: a alíquota real da sua empresa, com o anexo correto e as particularidades do seu produto, vem do seu contador.

Exemplo de loja no Simples Nacional com receita de 1,2 milhão em doze meses, alíquota efetiva de 8,825%, margem de 24,175% e retorno mínimo de 4,14.
No exemplo do Simples, a campanha com retorno 3 dá prejuízo, e a com retorno 5 dá lucro sobre a venda.

E a conta de uma empresa no Lucro Presumido?

No Lucro Presumido não existe uma guia única, e o imposto sobre a venda é a soma de quatro itens que podem ser lidos separadamente. Imagine, de novo apenas para ilustrar, uma empresa de serviços que vende um projeto de R$ 2.000, com faturamento anual abaixo de R$ 5 milhões. As alíquotas usadas abaixo são as das leis federais e a do município que o exemplo supõe.

  • PIS e Cofins no regime cumulativo: as alíquotas são de 0,65% e de 3%, somando 3,65% da receita (Lei 9.715/1998, artigo 8º, e Lei 9.718/1998, artigo 8º).
  • IRPJ: a lei presume que 32% da receita de serviços em geral é lucro (Lei 9.249/1995, artigo 15, §1º, III) e aplica a alíquota de 15% (artigo 3º). O resultado é de 4,8% da receita.
  • CSLL: a mesma presunção de 32% (artigo 20), com alíquota de 9% (Lei 7.689/1988, artigo 3º). O resultado é de 2,88% da receita.
  • ISS: cobrado pelo município, entre o mínimo de 2% e o máximo de 5% (Lei Complementar 116/2003, artigos 8º e 8º-A). O exemplo supõe 3%.

Somando, o imposto sobre a venda fica em 14,33% (3,65% + 4,8% + 2,88% + 3%), ou R$ 286,60 do projeto de R$ 2.000. O custo direto do serviço é de R$ 900 (45%), a taxa de pagamento é de 3,5% (R$ 70) e a comissão é de 5% (R$ 100). Sobram R$ 643,40, uma margem de contribuição de 32,17%.

O retorno mínimo é 1 dividido por 0,3217, cerca de 3,11. Com retorno 3, a campanha de R$ 1.000 gera R$ 3.000 em vendas e uma margem de R$ 965,10, o que significa um prejuízo de cerca de R$ 35. Com retorno 4, o faturamento de R$ 4.000 deixa R$ 1.286,80 de margem e um lucro de cerca de R$ 287 sobre a venda.

Duas ressalvas pedem a conferência do contador. O adicional de 10% do IRPJ sobre a parcela do lucro presumido que passar de R$ 20 mil por mês do período de apuração, ou R$ 60 mil por trimestre (Lei 9.249/1995, artigo 3º, §1º), não entra neste exemplo; com a presunção de 32%, ele passa a valer quando a receita de serviços supera cerca de R$ 62,5 mil por mês. E a Lei Complementar 224/2025, com efeitos em 2026, aplica acréscimo de 10% nos percentuais de presunção apenas sobre a parcela da receita que ultrapassar R$ 5 milhões no ano, regra que não alcança uma empresa abaixo desse valor.

Exemplo de empresa de serviços no Lucro Presumido com projeto de 2.000 reais, impostos de 14,33%, margem de 32,17% e retorno mínimo de 3,11.
No exemplo do Lucro Presumido, o retorno mínimo é de 3,11, e o resultado depende de quanto a campanha passa dele.

Como saber em um dia se a campanha dá lucro?

Com o retorno mínimo definido, a conferência diária fica curta. Todas as manhãs, divida o faturamento atribuído pela plataforma no dia anterior pelo valor gasto no mesmo dia. O resultado é o retorno do dia. Compare com o mínimo: se ficou acima, a campanha está pagando a venda e gerando lucro sobre ela; se ficou abaixo, está consumindo margem.

Três cuidados evitam decisões apressadas. O primeiro é que um dia isolado oscila, principalmente quando o produto ou serviço tem valor alto, porque poucas vendas mudam o resultado. Para pausar ou aumentar verba, olhe a média de três a sete dias. O segundo é que o faturamento da plataforma costuma incluir pedidos que depois são cancelados ou devolvidos, então feche o mês com as vendas confirmadas. O terceiro é que o retorno mínimo precisa ser atualizado quando a alíquota, a taxa de pagamento ou o custo do produto mudarem.

Para a decisão de crescimento, a leitura é objetiva. Quando o retorno do dia está bem acima do mínimo, existe espaço para investir mais, porque cada real adicional tende a voltar com sobra. Quando está pouco acima, o trabalho é melhorar a oferta, a página ou o atendimento antes de ampliar a verba. Quando está abaixo, vale revisar a peça do anúncio (imagem, vídeo e texto), o público e a taxa de conversão do atendimento, e conferir se o preço ainda cobre a margem.

Árvore de decisão com três situações: acima do mínimo, pouco acima do mínimo e abaixo do mínimo, avaliadas pela média de três a sete dias.
A decisão vem da média de três a sete dias, comparada ao retorno mínimo.

Qual planilha usar para fazer essa conta todos os dias?

Preparamos uma planilha para que a conta fique pronta em poucos minutos: baixe a planilha do retorno mínimo. Cada linha representa um produto ou serviço, e as colunas são as seguintes.

  • Preço médio: o valor realmente cobrado por venda.
  • Custo do produto ou serviço: o custo direto da venda, em reais.
  • Imposto sobre a venda (%): a alíquota informada pelo seu contador.
  • Taxa de pagamento (%): o percentual da maquininha, do gateway ou da plataforma.
  • Comissão (%): o percentual pago a vendedor, parceiro ou afiliado.
  • Margem de contribuição: calculada pela planilha.
  • Retorno mínimo: calculado pela planilha, é a meta da campanha.
  • Retorno do dia: digitado por você a cada manhã.
  • Situação: calculada, mostra se o dia ficou acima ou abaixo do mínimo.

O passo seguinte é levar o número para a rotina de decisão: o retorno mínimo vira o piso da meta de mídia, e o gestor de tráfego passa a reportar o retorno do dia contra esse piso. Esse é o tipo de conta que fazemos no diagnóstico, com os números reais de cada empresa e a revisão do contador.

Nove colunas da planilha, do preço médio à situação da operação, com o retorno mínimo destacado.
A planilha calcula a margem e o retorno mínimo; o retorno do dia é a única coluna digitada todo dia.

Perguntas frequentes

Posso usar um único retorno mínimo para a empresa inteira?

Só quando todos os produtos têm margem parecida. Se o custo, a comissão ou o imposto mudam de um item para outro, o retorno mínimo também muda, e uma média esconde o produto que dá prejuízo. O mais seguro é calcular uma linha por produto ou por grupo de produtos com margem semelhante.

O retorno mínimo já cobre a equipe e o honorário de gestão?

Não cobre. Ele empata apenas a venda, depois de custo direto, imposto, taxa e comissão. A equipe, as ferramentas e o honorário da agência são custos fixos e entram no ROI. Para ter lucro final, o retorno do dia precisa ficar acima do mínimo por margem suficiente para pagar esses custos fixos.

O número da plataforma de anúncios bate com o do meu caixa?

Quase nunca bate exato. A plataforma atribui vendas dentro de uma janela de tempo e registra pedidos que depois podem ser cancelados. Use o retorno da plataforma para a decisão diária e feche o mês com as vendas confirmadas no caixa, ajustando o retorno mínimo se a diferença for recorrente.

Com que frequência devo recalcular a alíquota do Simples Nacional?

A alíquota efetiva depende da receita dos doze meses anteriores, então muda todo mês, e de forma mais visível quando o faturamento sobe de faixa. Recalcule ao menos uma vez por mês, ou peça ao contador a alíquota estimada do mês seguinte, e atualize a planilha.

O imposto sobre o lucro também entra na margem?

No Lucro Presumido, o IRPJ e a CSLL são calculados por um percentual da receita, por isso entram como alíquota sobre a venda. No Lucro Real, esses dois tributos dependem do resultado apurado no período, por isso ficam fora da margem e entram depois, na conta do lucro final. Na margem ficam apenas os tributos sobre a venda, que o contador informa.

Leia também

Fontes: Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional), artigo 18 e Anexo I · Lei 9.249/1995 (IRPJ e CSLL, artigos 3º, 15 e 20) · Lei 7.689/1988 (CSLL, artigo 3º) · Lei 9.715/1998 (PIS, artigo 8º) · Lei 9.718/1998 (Cofins, artigo 8º) · Lei Complementar 116/2003 (ISS, artigos 8º e 8º-A) · Lei Complementar 224/2025 (artigo 4º, §§ 4º e 5º) · Portal Contábeis: brasileiro trabalhou 150 dias para pagar impostos em 2026 (estudo do IBPT)

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