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Marketing mix: os 4 Ps (e quando o problema não está na promoção)

FA

Felipe Alves

Estrategista-chefe e CVO da HDP BRASIL

 
Cartão de abertura sobre o composto de marketing usado como diagnóstico de vendas, com placas técnicas ligadas a um módulo central em destaque

Neste artigo

O mix de marketing, ou os 4 Ps, é o conjunto de quatro decisões (produto, preço, praça e promoção) que juntas definem como uma empresa leva uma oferta ao mercado. Criado por E. Jerome McCarthy em 1960 e difundido por Philip Kotler, o modelo serve hoje como um roteiro de diagnóstico: antes de aumentar o investimento em anúncio, ele mostra em qual dos quatro grupos está o gargalo real de uma operação. Anúncios que “não convertem” com frequência carregam um problema de preço ou de produto que nenhum criativo novo resolve.

Este artigo percorre a origem do modelo, o significado de cada P em um negócio digital brasileiro, os três Ps que o marketing de serviço acrescenta, a leitura dos 4 Cs de Lauterborn e um roteiro de perguntas para decidir onde mexer primeiro. Para o recorte da campanha que traz clique e não fecha venda, veja Por que o seu anúncio não converte: os cinco elos do diagnóstico.

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Uma conversa sobre como usar os quatro grupos de decisão para achar o gargalo antes de aumentar o investimento em mídia. Duração de 21 minutos e 58 segundos.

De onde vem o conceito dos 4 Ps

O termo marketing mix (composto de marketing) é anterior aos 4 Ps e vem de Neil Borden, que catalogou doze elementos controláveis de marketing capazes de sustentar uma operação comercial lucrativa. Quem reduziu esse conjunto a quatro categorias, produto, preço, praça e promoção, foi E. Jerome McCarthy, em 1960, no livro Basic Marketing: A Managerial Approach. As quatro categorias começam com a letra P em inglês (product, price, place, promotion), o que deu ao modelo o apelido de “4 Ps”.

Quem espalhou o modelo pelo mundo acadêmico e corporativo foi Philip Kotler, autor de Marketing Management, um dos manuais mais reeditados da disciplina. O próprio Robert Lauterborn, ao propor uma alternativa ao modelo em 1990, resume essa dupla autoria ao escrever que “Jerry McCarthy e Phil Kotler propuseram sua ladainha aliterativa: produto, preço, praça e promoção” (tradução livre), no artigo em que sugeriu os 4 Cs, publicado na revista Advertising Age em outubro de 1990.

Passados mais de 60 anos, o mix de marketing continua útil por um motivo simples: qualquer decisão comercial cabe em um dos quatro grupos. Isso o transforma em um instrumento prático de diagnóstico, muito além do uso didático que ele tem na faculdade.

O que cada P significa em um negócio digital brasileiro

Produto

Produto é o que a empresa entrega e o problema que resolve, incluindo qualidade, variações, garantia e a experiência ao redor da compra. Para um infoproduto, produto é o conteúdo do curso e a estrutura do suporte. Para um e-commerce, é o item físico, a embalagem e a política de troca. Quando o anúncio traz cliques mas a taxa de conversão da página é baixa e se mantém baixa mesmo depois de trocar criativo, headline e público, o problema costuma estar aqui: a oferta em si não é boa o suficiente para quem chega até ela.

Cubo em perspectiva ligado a três cartões que descrevem o problema resolvido, a qualidade com as variações e a garantia com a experiência de compra.
Clique frequente com conversão baixa em públicos diferentes costuma apontar para a oferta.

Preço

Preço é quanto o cliente paga e como ele paga: valor à vista, parcelamento, assinatura, desconto por volume. Preço comunica posicionamento antes mesmo de o produto ser testado. Um serviço B2B com ticket alto e checkout sem parcelamento, por exemplo, filtra parte do público que teria interesse genuíno mas não tem o caixa disponível naquele mês. Ajustar essa variável (forma de pagamento, âncora de valor, oferta escalonada) às vezes destrava mais receita do que qualquer otimização de campanha.

Catraca atravessada por um fluxo que se abre depois de um cadeado destravado, com a nota sobre flexibilidade de pagamento ao lado.
Forma de pagamento e âncora de valor comunicam posicionamento antes do primeiro teste do produto.

Praça

Praça é o canal de distribuição: onde e como o cliente compra. Em um negócio digital, praça é o site, o marketplace, o WhatsApp, a loja física quando ela existe, e a logística que liga a compra à entrega. Um produto correto, com preço correto, ainda pode vender pouco se o canal escolhido não é onde o público dele está, ou se o processo de compra dentro desse canal tem atrito (checkout longo, poucas opções de frete, falta de rastreio).

Duto que se estreita no meio do percurso, com a nota sobre fricção de canal e a lista de atritos que reduzem o resultado da operação.
O canal certo com processo de compra travado entrega menos do que a oferta permitiria.

Promoção

Promoção é a comunicação: anúncio, conteúdo orgânico, relações públicas, e-mail, indicação. É o P mais visível e, por isso, o mais culpado quando um resultado decepciona. Só que promoção amplifica o que já existe nos outros três grupos. Uma campanha bem construída em torno de um produto fraco ou de um preço desalinhado tende a gerar cliques e visualizações, com pouca conversão em venda sustentável.

Ondas concêntricas que partem de um ponto central, com as notas sobre comunicação ativa e sobre a função de amplificar o que já existe nos outros grupos.
A comunicação amplia o que os outros três grupos construíram, para cima ou para baixo.

Por que a maioria dos ajustes acontece na promoção (e nem sempre deveria)

Promoção costuma ser o grupo mais fácil de mexer: trocar um criativo, testar uma nova headline ou ajustar a segmentação de um anúncio leva minutos. Trocar a política de preço, redesenhar o produto ou abrir um novo canal de venda exige decisão de outras áreas da empresa e leva semanas. Por isso, quando uma campanha para de performar, o primeiro instinto é mexer na peça publicitária.

O diagnóstico correto começa antes disso. Quando o tráfego chega e a taxa de conversão da página é consistentemente baixa em públicos diferentes, o gargalo tende a estar no produto ou na oferta, mesmo quando o anúncio está bem construído. Quando o carrinho é abandonado no momento do pagamento, o gargalo costuma estar no preço ou nas condições de pagamento, ligados à praça. Quando o clique acontece mas a landing page não corresponde à promessa do anúncio, o problema é de coerência entre promoção e produto, e o que resolve é alinhar as duas pontas antes de ampliar o orçamento de mídia.

Descubra em qual dos quatro Ps está a sua próxima alavanca de crescimento

A HDP BRASIL usa o mix de marketing dentro do diagnóstico que antecede qualquer campanha, para identificar se o crescimento está no produto, no preço, no canal ou na comunicação e concentrar o orçamento de mídia na alavanca que devolve mais receita por real investido.

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Por que o marketing de serviço precisa de mais três Ps?

Os 4 Ps foram desenhados na década de 1960 com foco em produtos físicos de consumo. Serviço tem uma característica que produto físico não tem: é produzido e consumido ao mesmo tempo, e a pessoa que entrega faz parte da experiência. Em 1981, Bernard H. Booms e Mary Jo Bitner propuseram estender o modelo com três grupos adicionais voltados a serviço, formando os chamados 7 Ps. No texto original os três se chamavam participantes (a equipe e os próprios clientes), evidência física e processo de entrega do serviço; o rótulo pessoas, hoje mais comum, veio depois.

Pessoas

Pessoas são a equipe que atende, vende e entrega, além dos próprios clientes que interagem entre si em alguns modelos de negócio. Em um serviço de consultoria, agência ou clínica, quem atende o telefone ou responde o WhatsApp é parte do produto que está sendo vendido, e falhas aqui derrubam a percepção de qualidade mesmo com produto e preço corretos.

Processos

Processos são os passos entre o primeiro contato e a entrega final: como um lead é qualificado, quanto tempo leva a resposta, como o onboarding acontece. Um processo lento ou confuso reduz a taxa de conversão de um serviço tanto quanto um preço mal calibrado.

Três passos ligados por setas sob um cronômetro, com a descrição do percurso entre o primeiro contato e a conclusão do serviço.
Tempo de resposta e clareza do percurso pesam na conversão de um serviço tanto quanto a precificação.

Evidência física

Evidência física é tudo que torna um serviço, que é intangível, palpável para quem compra: o site, o material de apresentação, o ambiente de um consultório, o certificado de um curso. Ela reduz a incerteza de quem vai contratar algo que não pode testar antes.

Esses três Ps importam mais à medida que o serviço fica mais dependente de pessoas e de relação de confiança: consultorias, clínicas, escritórios de advocacia e agências sentem esse efeito com mais força do que uma loja de produto padronizado.

Sequência que transforma uma forma difusa em um cubo sólido, com as notas sobre tornar palpável o serviço intangível e sobre os elementos que compõem essa evidência.
Site, apresentação, ambiente e certificação reduzem a incerteza de quem contrata sem poder testar antes.

Os 4 Cs de Lauterborn: a mesma decisão pela ótica do cliente

Em 1990, o publicitário Robert Lauterborn publicou na Advertising Age o artigo “New Marketing Litany: Four P’s Passé: C-Words Take Over”, propondo que os 4 Ps fossem relidos a partir da perspectiva de quem compra. Ele batizou a proposta de 4 Cs: consumidor (o que o cliente quer e precisa, no lugar de produto), custo (o que o cliente sacrifica para satisfazer essa necessidade, no lugar de preço), conveniência (como o cliente prefere comprar, no lugar de praça) e comunicação (diálogo com o cliente, no lugar de promoção imposta a ele).

Os 4 Cs não substituem os 4 Ps como estrutura de decisão interna: uma empresa ainda precisa decidir preço, canal e mídia. O valor do modelo está em obrigar cada decisão a passar pelo filtro de como o cliente enxerga aquele grupo.

4 Ps (visão da empresa) 4 Cs de Lauterborn (visão do cliente)
Produto Consumidor: o que ele quer e precisa
Preço Custo: o que ele sacrifica para satisfazer essa necessidade
Praça Conveniência: como ele prefere comprar
Promoção Comunicação: diálogo com o cliente

Como usar o mix de marketing para decidir onde mexer primeiro

Na prática, o mix funciona como um roteiro de perguntas antes de qualquer decisão de investimento em mídia. A ordem sugerida é:

  1. O produto resolve, de forma clara, um problema que o público já reconhece ter? Se a resposta exige explicação longa, o gargalo pode estar no próprio produto, antes de qualquer ajuste na campanha.
  2. O preço e a forma de pagamento estão calibrados para o público que o anúncio atrai? Um ticket alto sem parcelamento filtra parte da demanda antes mesmo da decisão de compra.
  3. O canal de compra (site, checkout, WhatsApp, loja) está fácil de usar no aparelho e no contexto em que o cliente realmente compra?
  4. A comunicação da campanha promete exatamente o que o produto entrega, sem lacuna entre o anúncio e a página de destino?
  5. Para negócios de serviço: quem atende o lead responde rápido e de forma consistente, e o processo entre o primeiro contato e o fechamento é curto?

Quando a resposta às primeiras perguntas já aponta um ponto fraco, corrigir o produto, o preço ou o processo antes de ampliar a campanha costuma render mais receita por real investido. O mix de marketing serve exatamente para isso: ele separa o que é questão de oferta do que é questão de mensagem, e mostra qual das duas destrava mais crescimento quando resolvida primeiro.

Perguntas frequentes

O que são os 4 Ps do marketing?

Os 4 Ps do marketing, também chamados de mix de marketing, são produto, preço, praça e promoção. Produto é o que a empresa entrega e o problema que resolve, preço é quanto e como o cliente paga, praça é o canal em que a compra acontece e promoção é a comunicação, do anúncio pago ao conteúdo orgânico. Juntas, essas quatro decisões definem como uma oferta chega ao mercado.

Quem criou o mix de marketing e os 4 Ps?

O termo mix de marketing vem de Neil Borden, que catalogou doze elementos controláveis de marketing capazes de sustentar uma operação comercial lucrativa. E. Jerome McCarthy reduziu esse conjunto às quatro categorias conhecidas como 4 Ps, em 1960, no livro Basic Marketing: A Managerial Approach. Philip Kotler, autor de Marketing Management, foi quem difundiu o modelo no meio acadêmico e corporativo.

Qual é a diferença entre os 4 Ps e os 7 Ps?

Os 7 Ps mantêm os quatro originais e acrescentam três grupos voltados a serviço, propostos por Bernard H. Booms e Mary Jo Bitner em 1981: pessoas, processos e evidência física. No texto original, os três se chamavam participantes, evidência física e processo de entrega do serviço, e o rótulo pessoas se tornou comum depois. Esses três grupos pesam mais quanto mais o serviço depende de pessoas e de relação de confiança.

O que são os 4 Cs de Lauterborn?

Os 4 Cs foram propostos pelo publicitário Robert Lauterborn em artigo publicado na revista Advertising Age em outubro de 1990, relendo os 4 Ps pela perspectiva de quem compra. São consumidor no lugar de produto, custo no lugar de preço, conveniência no lugar de praça e comunicação no lugar de promoção. Eles funcionam como filtro sobre cada decisão do mix, já que a empresa continua precisando definir preço, canal e mídia.

Leia também

Fontes: Yudelson, J. (1999). "Adapting McCarthy's Four P's for the Twenty-First Century". Journal of Marketing Education, 21(1), 60-67 (DOI 10.1177/0273475399211008), que registra a introducao dos 4 Ps por E. Jerome McCarthy em 1960 · Lauterborn, B. "New marketing litany; Four P's passe; C-words take over". Advertising Age, 1 de outubro de 1990, secao Forum, p. 26 (texto integral) · Constantinides, E. (2006). "The Marketing Mix Revisited: Towards the 21st Century Marketing". Journal of Marketing Management, 22(3-4), 407-438, sobre os doze elementos de Neil Borden, a reducao feita por McCarthy e os tres elementos de Booms e Bitner · Booms, B. H. e Bitner, M. J. (1981). "Marketing Strategies and Organization Structures for Service Firms", in Donnelly, J. H. e George, W. R. (eds.), Marketing of Services, American Marketing Association, 47-51, na relacao de publicacoes de Mary Jo Bitner (Arizona State University)

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